Mande-me um email!!!
 
T a b l o [ i ] g

 

Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004. 00h38

CARTOGRAFIA DAS ÍNTIMAS PAISAGENS

I ATO — Clique aqui!
II ATO — Clique aqui!
III ATO — Clique aqui!

IV ATO: DAS ANTINOMIAS ou ETERNO RETORNO DO MESMO

Retornei à metrópole, meu berço, sem quaisquer laços telúricos com ela. Era-lhe um estrangeiro, um peregrino. A ausência de raízes tardou minha fixidez neste solo. Regressei muitas vezes à mesma terra, e a cada vez que se dava este eterno retorno do mesmo, o mesmo eu já não era. Deixava-me pelo caminho aos pedaços.

Deixava muito de mim misturado ao pó da estrada. Minhas certezas e crenças, meus hábitos e idiossincrasias, até mesmo alguns sonhos e esperanças foram deixados para trás. Cada vez que tornava à metrópole, eu era outro menos ligado à província, a tudo quanto me fiz lá, plaga de meu adolescer.

Minha religiosidade sucumbiu ao mais profundo e obstinado materialismo, complexo e imanente. A arte passou a ser encarada como ética do acaso. Deus não era mais do que uma invenção da linguagem em sua busca aflita por sentido. Vida, pensamento e sociedade não possuíam quaisquer atributos transcendentais. Considerava-os níveis de complexidades da própria matéria, decorrência desta última.

A própria noção de niilismo subverteu-se em mim. O niilismo constituía-se no caráter ascético ou metafísico das religiões e utopias. O único culto que conhecia era o dionisíaco, que em última instância era o culto artístico e corporal. Transformei-me no iconoclasta que filosofa com o martelo, destruindo os ídolos. Acreditei ser possível viver sem crenças, na absoluta imanência. Não percebia, obviamente, que isso já era uma crença. Sequer suspeitava do paradoxo em que me enredava, pois o absoluto é uma figura de transcendência.

Os êxtases ou instantes de plenitude passaram a ser vistos como reações orgânicas ligadas à respiração, ao aumento do metabolismo pela maior oxigenação do cérebro e à sugestionabilidade da mente. Eu os continuava tendo, ligados apenas à fruição artística ou intelectual. Eram menos freqüentes, todavia.

Todo este cepticismo convicto durou até a primeira primavera do milênio, quando experienciei algo a que nominei pura imanência. Por um estímulo absolutamente físico, sensual, aumentando a atividade conectiva de meu cérebro, eu me achei no seio da antinomia entre o materialismo complexo e o espiritualismo panteísta. E me inclinei ao retorno do espiritualismo em mim. Enleio da estesia e ampliação do intelecto conduziram-me ao Aleph (ponto que contém todos os pontos).

Ver o Aleph é perigoso? O ritual de iniciação, os veículos... Cada ligação (química ou pessoal) não me parecia mais do que um rito que se cumpre. Quando me expandira para o todo num espaço pontual, foi quase impossível viver somente o rito, pois o mundo contínuo passou a ser visto à semelhança do mundo atômico. Movimento não se afigurava nada mais do que a sensação provocada pela percepção visual da soma das temporalidades, na confluência do que Parmênides um dia ousou chamar de ser.

No interior do Aleph, vivenciei uma profunda indiferença pela minha vida-fio-consciência. Contudo, não senti medo de me perder, pois quem se perde (acolhe a ética do acaso) nunca está perdido (busca o não-lugar do destino). Outra coisa que me dava a certeza de que esse fio não se romperia era o fato de entender o que significavam as ligações entre as pessoas em seus aspectos mais imperceptíveis. Longe de perder minha consciência, eu a sentia expandir para o todo, sentia-me esticar para o interior das pessoas, mas sabia que o limite que eu estava rompendo existia e existiria, malgrado o fato de eu esquecê-lo por completo. Creio também que a compreensão de que havia um lugar para mim no mundo e de que eu ainda possuía alguma crença que dava sentido à minha vida (a de que minha poesia poderia valer tanto quanto a vida que o acaso me negara) não permitiu que eu sentisse tentador o convite de adentrar fora do fio a que chamo “eu”. Minha poesia sempre me permitiu o acesso aos ícones que levam às alheias vidas, pois ela foi, em todo o tempo, minha liturgia e minha transubstanciação.

Havia recuperado alguma coisa de minha antiga transcendência naquela primavera. A mudança de estação trouxe-me algo além. E não houve tempo, então. Houve instante. A alegria veio eclipsar as tristezas mais arcaicas. E não houve treva, então. Houve luz nos olhos dela. Não houve carências que seus carinhos não curassem. Os sentimentos não podiam ser aprisionados em palavras.

O verão trouxe consigo o calor. Eu cintilava! Eu e ela ofuscávamos o mundo com o brilho de nossos olhos. A intensidade daquele amor eu não sei precisar. A matemática dos amantes é feita de números complexos e imaginários puros, pois quem ama não sabe calcular. A geometria das paixões viscerais desconhece eqüidistâncias. A geografia do espírito carece de precisos limites...

***

topo

atual

 

Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004. 00h34

CARTOGRAFIA DAS ÍNTIMAS PAISAGENS

I ATO — Clique aqui!
II ATO — Clique aqui!

III ATO: DO ADOLESCER ou TODAS AS TRANSCENDÊNCIAS

Minha adolescência nasceu sob o signo da poética. Descobri o lirismo e o amor num mesmo movimento de alma. Desde então, fiz-me poeta, e este foi meu primeiro e maior sacerdócio.

Amiúde, esta é a fase da imanência, das descobertas do corpo e das vontades imediatas, da matéria e dos desejos urgentes. Segui caminho contrário a este. O fundamento de meu adolescer foram todas as transcendências, todos os idealismos. Mesmo o sensual e o lúbrico tinham um caráter metafísico nas verdades que me seguiam então.

A religiosidade foi uma característica marcante deste tempo. Meu vocabulário era voltado para o sagrado e o sublime, o belo e o inefável. Todos os sacerdotes cresceram em mim. Fui a bacante e o rabino, a pitonisa e o levita, a feiticeira e o padre, a santa e o pastor, a profetiza e o médium... Professei todos os credos, acreditei na veracidade de todos os misticismos.

Também na descoberta das artes fui um eclesiástico. Acreditava que o artista era um sacrário de Deus. Não me tornava um artífice, ordenava-me artista. Todo jaez de arte que conheci e cultivei me era uma revelação. A poesia era meu dom, a música, meu encontro com a divindade, o teatro, meu culto à criação e às formas religiosas primevas. Vivia alimentado por êxtases ou plenitudes.

O apogeu do transcendente foi o alfa de seu ômega. Na plena libação de todos as santidades e idealizações, imiscuiu-se o vinho imanente dos cepticismos. A minha saída iminente da província oferecia um prognóstico do martelo com o qual eu iria filosofar na metrópole, no tempo crepuscular dos ídolos.

anterior

topo

atual

 

Sábado, 07 de fevereiro de 2004. 14h31

CARTOGRAFIA DAS ÍNTIMAS PAISAGENS

I ATO — Clique aqui!

II ATO: DA INFÂNCIA ou DUAS GENEALOGIAS

Não logrei ainda descobrir em que ponto de minha existência fabricou-se esta linguagem. Minha história, embora dorida, é como outras tantas de tantos outros que carregam suas mazelas.

Minha dor é congênita, formou-se ainda no ventre materno. Trago-a em meu corpo. E aquilo que se vê de dor em mim é o que menos dói. Dano maior aloja-se sob a pele... Na carne, não penso em transcendências neste ponto! A calamidade que hospedo é imanente, diagnosticada, bífida, corporal...

Nos tempos de eu menino sempre houve esta dor. Mas já havia também minha linguagem solitária, rara, única e avessa a quaisquer parentescos. Vivia metido nela, em seu ventre sereno de noite e mar. Já neste tempo me acometiam três grandes inquietações de que ainda tenho reminiscências, e outras tantas que ficaram perdidas no pretérito-mais-que-perfeito (que este é o passado dos sonhos e das lembranças vaporosas). A criança que fui trazia consigo muito mais ciência do mundo do que hoje possuo. Havia uma clarividência das coisas ocultas sob véu do livro das ignorâncias. Havia sapiência, pensamentos que já não mais sei sequer intuir.

A primeira inquietação (que já revelava minha sede por compreender o outro em sua totalidade) provinha do desejo de saber se aqueles ao meu redor tinham a mesma percepção do mundo que eu possuía. Não quero aludir a uma percepção transcendente, interpretação das coisas. Quero me remeter ao exato pensamento da época infantil (um tempo de pura imanência), cujo sentido, o cerne da questão era se as pessoas ao meu redor viam, ouviam, cheiravam, sentiam e degustavam como eu o fazia. Inquietava-me ver que os gostos variavam tanto, que todos os cinco sentidos percebiam mundos diferentes em cada indivíduo. Que mundos eram esses? Ardia minha curiosidade infantil...

Minha outra inquietação, que dava a ver minha vocação filosófica, parecia-me um pensamento bastante ousado e original à época. Não sabia que Descartes já o havia formulado (e com método, coisa que aos sete ou oito anos eu nem sabia o que era) em algum dos séculos que me precederam. Era uma indagação acerca da realidade do mundo. A dúvida fundamental que gerou o ‘cogito, ergo sum’. Perguntava-me se o mundo, a realidade, tudo, enfim, não era uma espécie de sonho (quem estaria sonhando as nossas vidas?) sem existência real. Meu pensamento vagava horas nas possibilidades desta idéia, mas em criança jamais propus um bom encaminhamento a esta questão.

A última inquietação remanescente dos tempos de eu menino revela uma outra vocação: a literária. Queria saber das intimidades das palavras. Ardia no desejo de conhecê-las. Como bom ocidental, queria inteirar-me de suas classificações, embora distinguisse apenas nomes e pronomes, advérbios e adjetivos, verbos e numerais. As demais palavras, que não se encaixavam nesta classificação restrita, meu íntimo acreditava serem conjunções (uma espécie de sétima classe gramatical, de ordem cabalística, reservada apenas aos iniciados). Não sei como se consolidou esta crença em mim (destroçada com a descoberta dos advérbios, no final de minha infância). Talvez seja porque a palavra conjunção remetesse minha mente a uma idéia de conjunto (de palavras que não se encaixavam nas demais classificações). Mas creio mesmo que fora pelo fato de já ter ouvido vagos rumores sobre uma classe de palavras assim chamada. Desta forma, por ter sido a única categoria gramatical “conhecida” fora daquelas já estudadas, minha mente menina classificou todo aquele conjunto de palavras como “conjunções”.

Afora toda esta turbulência íntima, vivi a meninice com o corpo e os olhos brincantes, bacantes de divertimento. Banqueteava-me com meus brinquedos, minhas fantasias e meus sonhos infantes.

anterior

topo

atual

 

Sábado, 24 de janeiro de 2004. 14h30

CARTOGRAFIA DAS ÍNTIMAS PAISAGENS

Nas próximas cinco semanas, estarei publicando aqui o texto "Cartografia das Íntimas Paisagens", um texto dividido em cinco partes escrito em meados do ano passado. Espero que gostem!

I ATO: DAS DESSEMELHANÇAS ou SOLIDÃO TOTÊMICA

No livro das parecenças, ainda não encontrei quem me assemelhasse.

Não falo de identidade perfeita, cuja inexistência atesta-se ao menor contato com o universo de além dos limites de si. Falo de identificação plena, ainda que efêmera. Falo de conseguir conversar com alguém e, ao cabo, pensar: “este aí fala a minha língua”; sem a necessidade de transladar o seu léxico sentimental para o meu.

Esta constante necessidade de transladar léxicos sentimentais fez-me um douto em línguas da alma, da psique, do coração. Compreendo-as todas, decifro as novas, sei de seus dialetos e regionalismos. Mas ainda não encontrei quem me decifrasse, ou quem falasse, ao menos, uma variação distante de minha língua sem etimologias conhecidas até então. A isto chamo solidão totêmica ou fundamental.

anterior

topo

atual

 

Terça-Feira, 13 de janeiro de 2004. 01h30

A Mulher Amada
(para Cynthia S. Badaró)

Celebrar mais um ano que se inicia parece fornecer algum motivo para festa, embora não se alcance muito freqüentemente a frivolidade deste ato. O ano novo não renova a vida, não modifica ninguém, não tem porque trazer esperanças. Desentendo a alegria (que cada vez me parece mais desespero) que se sente quando os relógios marcam meia-noite. Seria mais fácil se todos rasgassem apenas as folhas dos calendários, sem o exagerado ruído dos fogos, numa festa em que não se festeja nada.

Se a vida continua a mesma, talvez se possa, ou se deva, ou se espere o desenvolvimento de um olhar novo sobre a vida. Quem sabe o homem não possa extrair dela um sentido mais edificante, não pela mudança da própria vida, mas pelo traslado da perspectiva com a qual a observa. Talvez esta lembrança se estenda até a primeira semana do novo janeiro, do novo calendário. Mas o tédio, ou a absoluta desmemoria lançam no olvido todas as promessas, as esperanças e as expectativas (de novo olhar ou até de nova vida) na morosidade de um ano que nasce já velho, já pré-fabricado pelos artífices dos fogos que estouram nas praias e enlouquecem os cães. Nem o vestido branco trouxe mais paz, nem a simpatia mais dinheiro, nem o olhar novo se sustentou para muito além da ressaca.

Embora o homem seja capaz de abstração, seus atos carecem de concretude para ganharem a conformação da existência, a qualidade de fenômeno. A própria filosofia ocidental, exercício de mais de dois mil e quinhentos anos de abstração, só é um fenômeno pela concretude das obras que trouxe ao mundo, pela pena de um Platão, pelas idéias impressas e libertárias de um Espinosa, pelos livros de um Nietzsche, ou de um santo Agostinho, ou as obras tardiamente achadas de um grande sistematizador como Aristóteles. O ano novo não ganha a qualidade de novo fenômeno pela repetição pré-fabricada do mesmo olhar, pelas escolhas que se impõem e tolhem a liberdade de criação e, sobretudo, porque são estéreis nas obras que supostamente deveriam fazer. O olhar novo não é um fenômeno concreto, nem uma esperança, mas uma repetição desta sociedade-standard que quer sempre que o novo se imponha, e faz da novidade uma necessidade velha e desgastada.

Por que, em lugar de buscar o novo no novo ano, tudo de novo, não volvemos os olhos para o que nos cerca e enxergamos a poesia do habitual e do quotidiano, daquilo que sempre está lá como num eterno e terno enleio de aurora? Por que não procurar celebrar o novo elegendo aquilo que gostaríamos de que estivesse mais uma vez e sempre conosco, em ato, palavra ou pensamento? Por que não pensar na mulher amada, não sussurrar ao pé do ouvido dela nosso amor — chama infinita enquanto dura? Por que não ouvir, em lugar da algaraviada dos fogos tão sem sutilezas, o coração da amada enquanto repousa sobre seu colo a cabeça?

Quando se tem a mulher amada ao lado, não se quer o novo. Quer-se o congelamento do instante, quer-se o instantâneo do tempo, quer-se o quebrar dos ponteiros que movem o mundo do passado para o futuro. Em síntese, o que se quer aos braços da amada é a eternidade. Como a eternidade da beleza destes olhos que miram a câmara escura que, por mágica, a flagra tão iluminada. E como não desejar que os olhos da amada não cintilem, que seus lábios não sejam sorrisos e beijos, que sua pele não seja fonte de aromas e relevos gráceis? E como não desejar o amor de Cynthia, o eterno retorno do mesmo amor?

anterior

topo

atual

 

Sábado, 27 de dezembro de 2003. 00h15

Luau de Natal

É verdade que a nossa família sempre foi meio hippie. É verdade também que me aproprio (aliás, nos apropriamos) um tanto inadequadamente da palavra “luau”, que, segundo registra o Aurélio, é:

1. Festa havaiana com comidas e danças típicas.
2. P. ext. Festa em praia, inspirada no luau (1), com comidas, bebidas, música, e, às vezes, dança.

Não fomos ao Havaí passar o Natal, nem o passamos na praia. Acho que sequer havia lua neste Natal, o céu coberto de nuvens... Mas nos inspiramos no clima de um luau para montarmos a nossa ceia natalina, que foi também ceia de aniversário da Betinha, minha irmã.

Quase tudo de interessante que inventamos provém do enfrentamento das diversidades. Nosso luau não foi diferente. Aqui em nossa nova casa ainda não temos mesa (há somente uma escrivaninha em meu quarto, que é minha mesa de estudos). Fazer a ceia na escrivaninha não era uma idéia lá muito atraente, em primeiro lugar porque ela não é muito espaçosa e, depois, porque ela não poderia acolher-nos como faria uma mesa real, possuía apenas lugar para uma pessoa que teria de disputar um mísero espaço com as comidas (talvez com a farofa, ou com outro gênero qualquer).

Minha mãe inventou então (toda boa influência hippie em nossa família é responsabilidade dela) de colocar uma bela toalhinha vermelha no chão e fazer a ceia ali mesmo. Aí teria música, depois eu tocaria violão — como de fato se deu — e tudo o mais que uma tradicional ceia de Natal tem de ter (com direito a vinho e aquele negócio negro e gasoso: Coca-cola).

Foi uma ceia aconchegante e diferente, esta que passamos juntos. Há muito os Natais não eram passados nós três, em nossa casa, com a nossa ceia preparada pelas nossas próprias mãos e executadas ao nosso modo e tempo próprios. Tivemos outros belos Natais (sempre com um aniversário da Betinha servindo de prolegômenos) passados com toda família em Cabo Frio, em casa de meus avós maternos, ou em Belo Horizonte, junto aos meus avós paternos — este último acabava tendo um pouco mais cara de nosso, é verdade! Mas desta vez o fomos só nós três — busco na memória e julgo que nunca havíamos passado somente nós três um Natal.

BETAMANIA

Longe de nos entediarmos, como nos divertimos! Como apertamos os nossos laços — porque é preciso descobrir a especificidade de cada laço que nos liga a cada membro da família. Tiramos tantas fotos (que mais tem cara de fotos de aniversário do que de Natal). Desta vez, inclusive, acho que a comemoração natalina foi um epílogo ao aniversário da Beta e, pelas fotos (que, infelizmente, ainda não pude colocar aqui), ver-se-á que se tratou verdadeiramente de uma Betamania!

anterior

topo

atual

 

 

 

Arquivos

Fevereiro de 2004
Janeiro de 2004
Dezembro de 2003

 

Blogs

Além das Palavras
Aurora Conclusa
Betamania
Blog da Ruiva
Cabra da Peste
(Virgulina)

Dequinh@
Ícaro Beranger
Ipsis Literis
Caminhos da Terra
(Fernanda Abrantes)

Fernando Miranda
Lidos e Relidos
O Centenário
(Theo Alves)

Mística e Poesia
Ritinha
Sete Ofícios Simplesmente Outono

 

on-line

 

 

 

 

Weblog Commenting by HaloScan.com